02 de julho de 2018 às 02:00

Fortnite é sucesso que adultos ignoram

Quem vive em Marte (ou quem tem mais de 30 anos) corre o risco de nunca ter ouvido falar do maior fenômeno de mídia atual no Ocidente, o game Fortnite. 

Quem vive em Marte (ou quem tem mais de 30 anos) corre o risco de nunca ter ouvido falar do maior fenômeno de mídia atual no Ocidente, o game Fortnite. 

Para ter uma ideia, o jogo já foi baixado mais de 60 milhões de vezes em diversas plataformas, incluindo celulares. Não é raro que em um momento qualquer mais de 3 milhões de pessoas estejam conectadas jogando simultaneamente. 

A revista New Yorker chamou o jogo de uma mistura de beatlemania com crise dos opioides. Há diversos vídeos no YouTube mostrando a reação de crianças contra os pais que tentam impedi-las de jogar, ou depoimentos de pais dizendo que "perderam" seus filhos para o game.

A versão do jogo que se tornou febre foi lançada em setembro de 2017. Para quem nunca jogou, o enredo é relativamente simples. Um grupo de jogadores é lançado em uma ilha, onde deverão lutar uns contra os outros até o último sobrevivente.

Em outras palavras, vence quem sobrar. Para sobreviver, é preciso coletar armas, remédios, bem como material de construção (como madeira). Esses últimos são utilizados para criar estruturas estratégicas (como pontes) que são fundamentais para vencer.

O jogo lembra uma mistura do filme "Jogos Vorazes", mas com elementos do popular game Minecraft.

Para piorar, há uma tempestade que vai circundando a ilha, obrigando todos os jogadores a convergir progressivamente para a mesma área. Isso frustra a possibilidade de sobreviver ficando escondido o máximo possível e só aparecer quando a maioria dos demais jogadores já desencarnou digitalmente (essa estratégia é conhecida como "camping" e não é bem-vista).

O mais importante de Fortnite é que ele não interessa somente a quem joga. O game se tornou um jogo-espetáculo, cujas partidas são transmitidas ao vivo pelo site Twitch (de propriedade da Amazon e parceiro da Disney) e assistidas por milhões de pessoas. Para muita gente, é mais interessante acompanhar os torneios de Fortnite do que a Copa do Mundo.

Tanto é que o principal jogador de Fortnite, chamado Ninja, foi mais de uma vez ao longo deste ano o atleta global como maior engajamento em redes sociais do mundo, deixando para trás o português Cristiano Ronaldo, na segunda posição. 

O rapper Drake também se juntou a Ninja para jogar Fortnite ao vivo, evento que viralizou. Aparentemente, Drake acaba de escrever uma música em seu novo disco em que fala de Ninja.

Tudo isso leva a refletir sobre a mudança rápida do ecossistema de mídias. O Twitch, por exemplo, é hoje uma das principais plataformas de comunicação com adolescentes e jovens adultos do planeta. Não por acaso, ninguém menos que a Nasa (agência espacial americana) acabou de abrir um canal na plataforma para manter sua relevância entre jovens. Jogada acertada. Em pouco tempo, conseguiu 2 milhões de seguidores na plataforma.
 

Fortnite é um fenômeno, mas é bem possível que a maioria dos leitores de jornal nunca tenha ouvido falar dele. Vale lembrar que aprender a falar com jovens neste mundo hiperconectado é o santo graal de qualquer mídia. E Fortnite é hoje um dos principais elementos para isso.

Reader

Já era"? Hotéis com iPod docks

Já é"? Casas com sistemas de controle de voz

Já vem"? Hotéis com sistemas de controle de voz

Fonte: FOLHA

comentários

Estúdio Ao Vivo