12 de julho de 2018 às 10:53

Pub de Londres muda de nome para homenagear visita de Trump

Entre um encontro com a primeira-ministra Theresa May e um chá da tarde com a rainha Elizabeth 2ª, o presidente americano, Donald Trump, também foi convidado para tomar uma pint de cerveja e comer um hambúrguer com seus fãs ingleses em um pub em Hammersmi

Entre um encontro com a primeira-ministra Theresa May e um chá da tarde com a rainha Elizabeth 2ª, o presidente americano, Donald Trump, também foi convidado para tomar uma pint de cerveja e comer um hambúrguer com seus fãs ingleses em um pub em Hammersmith, oeste de Londres. 

Enquanto milhares de pessoas vão às ruas contra a visita do americano ao Reino Unido, o bar Jameson mudou temporariamente seu nome para “The Trump Arms” e organizou uma festa em homenagem ao presidente.

A Folha visitou o pub na tarde de quarta-feira (11), pouco antes do jogo da seleção da Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo da Rússia. Por mais que o futebol fosse o assunto principal dos clientes, e que muitos tenham dito não se importar tanto assim com Trump, a fama do pub divertia quem frequenta regularmente o bar. Sentado em frente ao balcão, um grupo assistia no celular a uma reportagem em vídeo sobre o bar, enquanto o gerente do pub dava mais uma entrevista a uma rede de TV local.

Segundo Damien Smyth, gerente do “Trump Arms”, a decisão de fazer a festa em homenagem ao americano foi tomada como uma reação aos protestos contra sua visita a Londres â?”especialmente o balão gigante com uma caricatura de Trump como um bebê, que vai ser usado na manifestação de sexta (13) na região central da cidade.

"Quando vi a recepção negativa da visita, fiquei horrorizado. Acho que este balão foi longe demais. Se o mesmo acontecesse com a rainha em Nova York, ficaríamos horrorizados. Isso não é um insulto a Trump, mas ao povo americano”, disse.

Smyth admitiu que Trump é uma figura “controversa”, mas disse que ele é um líder importante para os EUA, e que queria apoiar os amigos americanos. “Queremos uma celebração pacífica para o melhor amigo do Reino Unido”, disse.

Segundo uma funcionária do bar, que preferiu não se identificar, entretanto, a festa não deve atrair tanta gente. “A Copa do Mundo é mais importante do que a visita de Trump”, disse.

Mesmo que o presidente não apareça, o pub já tem um substituto com quem celebrar: um boneco de papelão em tamanho real de um Trump sorridente, colocado estrategicamente no balcão do bar.

Além disso, o “Trump Arms” passou a semana todo decorado com bandeiras dos EUA e do Reino Unido, e um chapéu com o slogan da campanha presidencial de Trump, “make America great again” foi exposto com destaque logo atrás do balcão de bebidas.

Apesar do forte movimento de crítica e manifestações contra a visita de Trump, entretanto, metade dos britânicos são a favor da recepção ao presidente americano.

Segundo uma pesquisa de opinião do instituto YouGov em parceria com a rede ITV, 50% dos entrevistados aprovam a visita, enquanto 37% acham que a viagem deveria ter sido cancelada, e 13% não sabem. Em dezembro do ano passado, quase 60% eram contra uma visita de Trump ao Reino Unido.

A maioria dos britânicos não acha, entretanto, que a rainha Elizabeth 2ª deva receber o presidente americano. Segundo a pesquisa, 49% dos entrevistados são contra o encontro com a rainha, e só 35% apoiam a reunião deles no chá da tarde.

Trump é um dos líderes internacionais menos populares no Reino Unido. Apenas 17% dos britânicos têm uma opinião favorável do presidente americano, enquanto 77% o veem de forma negativa. A imagem dele só não é pior do que a do presidente russo, Vladimir Putin, que é visto de forma desfavorável por 79% dos britânicos. 

O pub Jameson se tornou um símbolo isolado da defesa de Trump em Londres. Além das manifestações de rua contra ele, analistas da política local indicam que May não contará com muito apoio na recepção ao americano.

Segundo o especialista em relações EUA-Reino Unido Jacob Parakilas, do think tank inglês Chatham House, o único “amigo” de Trump na política britânica seria o ultranacionalista Nigel Farage, com quem ele não deve se encontrar na visita.

Fonte: FOLHA

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