16 de maio de 2018 às 17:06

"Tenho de ser irmão, amante, noiva e mãe dos meus atores", diz Almodóvar

Este texto foi originalmente publicado na Serafina de setembro de 2010

Este texto foi originalmente publicado na Serafina de setembro de 2010

Madri, 15 e 16 de setembro

"Me quita el sueño." A expressão é usada por Pedro Almodóvar, 58, quando o diretor sabe que tem um bom roteiro nas mãos -a história "lhe tira o sono".

Foi o que aconteceu quando recebi a confirmação de que o cineasta havia aceitado conceder esta entrevista. Como seria o homem por trás da obra?

Ocorreu-me então a imagem de uma tourada a que assisti na Plaza de Touros, em Sevilha, a mais tradicional da Espanha, chamada Maestranza: ter de entrar na arena e enfrentar o touro.

17 de setembro

14h30
Trinta minutos antes do horário agendado para a entrevista, recebo um telefonema: a assessora do diretor informa que ele não poderá me receber no escritório em sua produtora El Deseo, como havíamos combinado. Por um momento, entendo que a entrevista será adiada para, em seguida, ela me perguntar se eu poderia entrevistá-lo em sua casa.

15h
Chego pontualmente ao prédio em frente a uma área verde em um bairro elegante de Madri. Ao entrar no apartamento, ele ainda despacha em seu escritório com duas assistentes. Diz um sorridente "Hola que tal?" e pede que eu espere "un poquito más". Com esses sinais, pressinto que o touro não é bravo, mas brando, dulcíssimo.

15h20
As cortinas caem e estou ali, diante do cineasta, em sua sala particular de cinema, com dezenas de filmes espalhados sobre a mesa. Sua assessora pessoal nos deixa a sós. Ele se queixa de um pouco de dor nas costas e então se ajeita em uma poltrona confortável, em frente à minha. Os ambientes do apartamento reproduzem a estética de seus filmes, repletos de cor e objetos de design. Mostra-se paciente ao ouvir meu espanhol imperfeito, que, talvez por se interessar tanto pelo Brasil, provoca nele curiosidade pela tradução. A primeira palavra que quis aprender em português foi "comoção".

Depois de realizar 17 filmes, sua expectativa mudou em relação ao público e à crítica?

Sabe, "hombre", vamos aprendendo com o tempo que temos de aceitar qualquer tipo de reação. O principal, para mim, é comprovar que o público entendeu e se emocionou nos momentos em que pretendo que se emocione. Presto mais atenção na reação do público, mas com respeito à crítica. No início, fora da Espanha, eu era reconhecido nos meios marginais, underground, mas os grandes meios e o grande público, o "mainstream", tratavam-me como alguém estranho. A partir de "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", começam a prestar atenção em mim. Desde então, a crítica fora da Espanha tem sido favorável.

Pode-se dizer que em "Abraços Partidos" as emoções estão mais contidas em comparação aos seus filmes anteriores?

Não é um melodrama para se chorar. É mais seco, mais "negro" que os outros filmes que fiz. As emoções dos personagens sim, são mais contidas e menos exteriorizadas. Sobretudo porque o que provoca essas emoções aconteceu há bastante tempo, no passado da vida desses personagens, e não no presente. A personagem de Penélope é uma mulher jovem com uma trajetória complicada. Já cometeu muitos erros, fracassou em muitas coisas, o que ela tinha de sofrer, sofreu. Pode sofrer mais, mas não está tão frágil, ficou endurecida. A elaboração e o roteiro são muito mais complexos, por exemplo, do que em meu último filme, "Volver", que é mais acessível, segue uma narração linear. Em "Abraços Partidos" a narração muda continuamente de direção, de espaço, de tempo.

Tem vontade de filmar no Brasil?

"Me encantaria!" Mas teria de encontrar um argumento adequado.Há ótimas atrizes, Marília Pêra, Regina Casé, as Fernandas "madre" e "hija" (leia mais na pág. 52). A verdade é que me sinto muito próximo da cultura brasileira. Caetano [Veloso] me disse muitas vezes que sou um cineasta brasileiro, porque ele encontra uma conexão direta com o meu cinema, que não passa de uma cultura à outra, é uma conexão natural. A vida brasileira é muito novelesca, extrema. Pede para ser contada. É perfeita para a ficção. E na própria cultura diária há algo que me interessa muito: tem perigo, tensão, beleza. Há também uma sensualidade evidente que está nas ruas, nos corpos. Se há um ser humano nascido para gostar de seus sentidos é o brasileiro. Além de ser um país belíssimo com contrastes sociais -que também são bons temas-, há também os contrastes simplesmente geográficos, visuais, como vemos no Rio de Janeiro e na Bahia, os dois lugares que conheço mais. Cenários fantásticos para rodar.

O que achou de a O2, de Fernando Meirelles, ter comprado os direitos de "Fogo nas Entranhas"?

Estou contente. Espero que sejam tão atrevidos quanto eu fui quando escrevi ["Fogo nas Entranhas" é uma novela "porno-humorística" escrita por Almodóvar em 1981 e lançada no Brasil em 2000, pela Dantes Editora]. Tem coisas ali que não são ilustráveis, pois seria pornografia, e entendo que tenham de suavizá-las, mas espero que ao menos sigam o tema como propõe a novela. É curioso pensar que um material que escrevi sem nenhuma pretensão, por divertimento, agora vire um filme brasileiro. Não me importa, portanto, qual seja o resultado, mas, de qualquer forma, ter o Fernando Meirelles no comando do projeto me deixa confiante.

Ainda sonha em alcançar algo como diretor de cinema?

Tudo! Eu me sinto começando. Não fico olhando para o passado ou para o que conquistei. A cada novo filme tenho exatamente a mesma paixão de antes. A única diferença é que agora sou consciente dessa paixão, e no começo, não era. Espero ter tempo de filmar pelo menos cinco ou seis histórias que já tenho escritas, duas terminadas, outras na cabeça etc...

Você costuma dizer que sabe que escreveu um bom roteiro quando perde o sono.Quando estou na cama, relaxado, é quando o espírito está mais livre e todos os pensamentos me abordam. Se estou trabalhando em um roteiro, podem surgir ideias nesse momento. Tenho sempre um lápis à mão e, se a ideia for muito complexa, eu me levanto e vou para o computador escrever. O roteiro é como parte biológica do seu organismo. Vai crescendo pouco a pouco dentro de ti. Quando saio para passear, conversando com os amigos, ele segue crescendo sozinho. Quando me deito, vem tudo à cabeça.
Junto com seu irmão e produtor de todos os seus filmes, Agustín Almodóvar, você fundou, em 1986, a produtora El Deseo, em Madri

Como é a relação com ele?

Agustín é a testemunha de toda a minha vida. Desde pequeno, eu me recordo dele me observando. Às vezes, ele conta coisas da minha infância das quais nem eu me lembro mais. Ele é meus olhos e minha memória. Meu melhor amigo. Em todos os meus filmes, ele aparece, tem um pequeno papel, e posso ver como ele vem mudando nos últimos 30 anos. É químico de profissão, mas o cinema sempre o interessou. Tem a cabeça preparada para os números. Em 1986, decidimos criar a El Deseo. Era um início arriscado. Se o filme não funcionava, a gente tinha de pagar as dívidas. Ele tem uma parte muito importante no meu cinema. É a pessoa que melhor me conhece e que melhor entende os roteiros que proponho. Muito consciente, ele me protege da parte burocrática, das relações com os distribuidores, a parte mais sórdida dos negócios, para que eu não tenha nenhum contato com esse mundo. A minha independência e a minha liberdade eu devo em grande parte ao meu irmão.

De que maneira você descreveria seu método como diretor?

Alguns dizem que sou muito fácil, outros que sou difícil. E todos concordam que sou exigente. Eu me considero constante. Os atores gostam que se tire o melhor deles. Dou tanta informação que às vezes eles ficam nervosos, e meu trabalho como diretor também é acalmá-los. Por isso, trato de dar todas as soluções possíveis para o problema de cada um. Ofereço-lhes suporte sempre. O diretor é tudo para o ator. O ator está desnudo, e o diretor é o único espelho no qual podem olhar. Tenho de ser pai, mãe, psicólogo, amante, noivo, noiva, irmão. Se eu me sinto inseguro diante de um filme que é novo para mim, os atores também terão inseguranças. Um diretor pode fazer muito mal a um ator. Primeiro, porque ele tem um poder absoluto. E depois porque o material que utiliza é muito delicado. Um ator que não tem medo da câmera, que não fica nervoso, já é 50% do trabalho.

Você fala muito na expressividade natural, como consegue isso?

Depende de cada um. Às vezes, tenho que ensaiar muito. A Penélope [Cruz], por exemplo, é uma atriz que vai crescendo com os ensaios e que precisa ensaiar muito até se conectar com as entranhas dos personagens. Uma vez conectada, sai tudo de modo muito natural. Com o Antonio Banderas é o contrário. Eu quase não o ensaiava. Porque o que me interessava nele era sua intuição, seu instinto. Mais do que entender, ele intuía bem o personagem. Tem um enorme instinto. Quando eu propunha um texto, gostava de filmar a primeira interpretação dele, porque era maravilhosa. Há atrizes, como Carmem Maura ou Blanca Portillo, que vêm do teatro com enorme técnica, em que o importante é exatamente que não se veja sua técnica. De maneira geral, eu ensaio muito, conversando sobre os personagens, sobre as possibilidades de atuação. Especialmente para chegar ao momento em que lhes digo: agora não pensem em nada do que eu disse e simplesmente ajam! (risos).

Você consegue circular com tranquilidade em Madri?

As pessoas são muito simpáticas, amáveis, nunca agressivas. O público me aborda como se eu fosse parte de sua família. Falam comigo com muita confiança, mas, às vezes, é muita gente e fica difícil.

Você vai muito ao cinema?

Sim, duas vezes por semana. Se meus amigos não estão livres, vou sozinho. E vejo um filme por dia na minha casa. Necessito fisicamente tanto da ficção em imagens como da ficção literária. Preciso dessa porção de ficção diária. Não importa se estou rodando 12 ou 14 horas por dia. Antes de dormir, tenho que ler, nem que seja uma página (risos).

Que livro está lendo?

"El Poder del Perro" (o poder do cão), de Don Winslow. Fala das
relações estabelecidas entre os americanos e os mexicanos em torno
do narcotráfico. É um thriller muito trepidante. O [Martin] Scorsese
o faria muito bem. Mas [o livro] é ainda mais violento que os seus filmes. Creio que com a tremenda violência que há no México, os grandes thrillers vão tomar o país como base para mostrar essa situação terrível. O livro é muito interessante e cinematográfico.

E que filmes te chamaram a atenção recentemente?

"Un Prophète", de um diretor francês de meia-idade, Jacques Audiard. "A Fita Branca" ("The White Ribbon"), de Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes. E "Still Walking", de Hirokazu Kore-eda, de que gosto muito. O cinema americano é o que tem me interessado menos.

Que filme ou diretor brasileiro você destacaria?

O último filme que me deixou absolutamente fascinado e foi pouco reconhecido no Brasil é "Casa de Areia", do Andrucha Waddington.

A religiosidade está presente em seus filmes de forma bastante teatral. Qual a sua relação com a religião?

Desde pequeno a religião me fascina. Minha família toda é católica praticante e tenho uma relação maravilhosa com ela. Tem elementos teatrais tão intensos! Nenhuma criança gostava de ir à igreja, mas eu ficava fascinado com a missa em latim, por tudo o que havia na cerimônia, os cantos, toda a liturgia em si. A liturgia lhe dá forma e, às vezes, sentido. Mas, por outro lado, sou anticlerical. Esse papa atual é um personagem muito perigoso. Para todo mundo, principalmente para os católicos. Ele está falando como um fundamentalista e isso é um perigo. As guerras religiosas são as mais cruéis. Terroristas suicidas só existem em guerras religiosas. Agem impulsionados por uma ideia religiosa, senão não existiriam.

No que se apoia na dificuldade?

Não creio em Deus. Isso é uma contradição, pois todo ser humano necessita crer em algo. Mas a fé é um dom. Não se pode adquiri-la, comprá-la. Ou se tem ou não se tem. Eu não tenho. E me apóio basicamente nas pessoas que me rodeiam e nas relações que tenho com elas.

Se sua vida fosse um filme, como seria?

Não gostaria que fizessem um filme sobre a minha vida. Essa é uma das razões pela qual não gostaria de morrer. Vou deixar em meu testamento e escrever na minha lápide: "Pedro Almodóvar foi um cineasta que não quer, nem nunca quis, que se faça um filme sobre sua vida, nem uma biografia, muito menos um programa televisivo".
BOX

PLANETA ALMODÓVAR
As referências que alimentam a obra do diretor

Filmografia (longas)

1 - "Pepi, Luci e Bom" (1980)
2 - "Labirinto de Paixões" (1982)
3 - "Maus Hábitos" (1983)
4 - "Que Fiz Eu para
Merecer Isto?" (1984)
5 - "Matador" (1986)
6 - "A Lei do Desejo" (1987)
7 - "Mulheres à Beira de
um Ataque de Nervos" (1988)
8 - "Ata-me!" (1990)
9 - "De Salto Alto" (1991)
10 - "Kika" (1993)
11 - "A Flor do Meu Segredo" (1995)
12 - "Carne Trêmula" (1997)
13 - "Tudo sobre Minha Mãe" (1999)
14 - "Fale com Ela" (2002)
15 - "Má Educação" (2004)
16 - "Volver" (2006)
17 - "Abraços Partidos" (2009)

MUSAS

1. Carmen Maura - "Pepi, Luci e Bom", "Maus Hábitos", "Que Fiz Eu para Merecer Isto?", "Matador", "A Lei do Desejo", "Mulheres à Beira..." e "Volver"

2. Rossy de Palma - "A Lei do Desejo", "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", "Ata-me!", "Kika", "A Flor do meu Segredo" e "Abraços Partidos"

3. Cecília Roth - "Pepi, Luci e Bom", "Labirinto de Paixões", "Maus Hábitos", "Que Fiz Eu para Merecer Isto?" e "Tudo Sobre Minha Mãe"

4. Marisa Paredes - "Maus Hábitos", "De Salto Alto", "A Flor do Meu Segredo" e "Tudo sobre Minha Mãe"

5. Victoria Abril - "A Lei do Desejo", "Ata-me!", "De Salto Alto" e "Kika"

6. Julieta Serrano - "Pepi, Luci e Bom", "Maus Hábitos", "Matador", "Mulheres à Beira..." e "Ata-me!"

7. Penélope Cruz - "Carne Trêmula", "Tudo sobre minha Mãe", "Volver" e "Abraços Partidos"

8. Bibi Andersen - "Matador", "A Lei do Desejo", "De Salto Alto" e "Kika"

MESTRES

Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Billy Wilder, Luis Buñuel e Federico Fellini são cinco dos cineastas prediletos de Almodóvar. Mas a lista, ele avisa, pode sempre mudar - e ganhar nomes como Antonioni e Rossellini (este, por sinal, citado em "Abraços Partidos").

TRILHA

Almodóvar só trabalha com amigos e isso vale para a escolha das músicas de seus filmes. Os queridinhos do momento são a cantora americana Cat Power e cantor de flamenco Miguel Poveda (na foto acima, à esq., com o músico argentino Rodolfo Mederos)

FASHIONISTA

Assim como o décor, os figurinos têm papel fundamental na estética de Almodóvar. Para isso, ele põe em cena as criações de alguns dos maiores nomes da moda, como Jean-Paul Gaultier, Karl Lagerfeld
e John Galliano

COREOGRAFIA

Foi em 1990 que Almodóvar conheceu a alemã Pina Bausch, uma amizade "fulminante e eterna", ele escreveu logo após a morte dela, em junho deste ano. Pina participa de "Fale com Ela"

TIPO EXPORTAÇÃO

Artistas brasileiros que chamam a atenção do diretor

TRILHA SONORA

João Gilberto (1), Tom Jobim (2)
E Vinicius de Moraes (3)
"A Santíssima Trindade"

Caetano Veloso (4)
"Fez uma reinvenção, mais do que uma versão, de 'Cucurrucucu Paloma' [cantada ao vivo em uma cena de 'Fale com Ela']"

João Donato (5)
"É apaixonante, pessoalmente e musicalmente"

Seu Jorge (6)
"Tenho seus discos, como o 'Cru', adoro suas músicas e acho que, como ator, tem uma presença explosiva"

Bebel Gilberto (7)
"'Tanto Tempo' é, para mim, um CD essencial"

ELENCO

Regina Casé (8)
"Eu a descobri em 'Eu, Tu, Eles' [de Andrucha Waddington], filme de que gostei muito. Como a Regina também é muito amiga do Caetano [Veloso], já nos sentimos próximos. Ela escreveu o prefácio do meu livro 'Fogo nas Entranhas'"

Fernanda "madre" Montenegro (9) e Fernanda "hija" Torres (10)
"São atrizes enormes! Estão maravilhosas em 'Casa de Areia'!" [também de Andrucha Waddington, citado por Almodóvar como um de seus diretores preferidos do Brasil]

Sônia Braga (11)
"Uma das atrizes brasileiras com quem me encantaria trabalhar"

Marília Pêra (12)
"Uma belíssima atriz"

MEMORABILIA
coleção de memórias
de pedro almodóvar
Música
Uma das primeiras canções de que me lembro é uma música que minha mãe e suas amigas cantavam enquanto lavavam roupas no rio. Devia ter uns quatro anos naquela época. A canção aparece em "Volver" e se chama "Las Espigadoras", da opereta "La Rosa del Azafrán"

Ídolo
Musicalmente, os Beatles, que acompanhei desde o início da carreira. E a primeira fase de Bob Dylan

Objeto
O muro onde se projetavam os primeiros filmes que vi na vida, ainda criança, no vilarejo onde nasci, Calzada de Calatrava (município de La Mancha, no centro da Espanha). Era um muro enorme, branco, pintado de cal. Ficava em um lugar ao ar livre, onde também aconteciam bailes

Brincadeira
Eu não era uma criança que jogava muito, mas gostava de brincar com trem elétrico

Comida
El pisto, uma mistura de tomate e pimentão. É parecido com ratatouille francês e servido com fatias de porco empanadas

Lugar
Um rio no meu vilarejo, onde minha mãe lavava as roupas, sempre com muitas mulheres juntas. Apesar de ser um trabalho árduo, elas conversavam, cantavam;
o rio em si é uma metáfora da vida, da passagem do tempo.
É uma das imagens mais fortes
da minha infância

Livro
"Orlando", de Virginia Woolf, que me impressionou muito quando eu era jovem.

Fonte: FOLHA

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